Não houve uma despedida digna. Ele simplesmente partiu sem avisar. E eu fiquei imobilizado. Sem reação clara, por alguns minutos, tentando acreditar que aquela evidência fosse apenas alguma confusão de minha vista ou de minha memória. Mas não era um equívoco. Era real. Ele se foi de verdade. Sumiu.
Naquele momento, enquanto eu assimilava o acontecido, passavam pela minha cabeça as tantas emoções que passamos juntos nestes últimos doze bem vividos anos.
Ele foi sempre fiel a meus sonhos. Esteve sempre ao meu lado. Foi um dedicado companheiro, superando todas as vezes as minhas expectativas sobre até onde chegaríamos juntos. E por toda jornada ele sempre soube ser tolerante comigo. Aguentando minhas ideias e vontade de conhecer lugares novos, distantes e de difícil acesso.
Ele esteve presente na minha primeira viagem pelo sertão do Brasil, esteve presente nas tantas jornadas de surf, pelas praias do Sul ao Nordeste. Esteve presente nas viagens de mergulho na Bahia, nas buscas por trilhas de bike, nas escaladas por rochas em SP e MG.
Ele acompanhou meu desenvolvimento na espeleologia. Me levou à expedições por vários estados brasileiros. Carregou equipamentos e espeleologos amigos por muitos anos. E assim cumpriu um papel fundamental na descoberta e exploração de diversas cavernas.
Ele se mudou para o Ceará comigo! Acompanhou dois anos muitos felizes viajando todos os finais de semana pelo sertão ou pelas praias do litoral nordestino. Juntos, pelos caminhos de areia fofa, conhecemos quase todas as praias entre Recife e o Maranhão. Muitas manhãs, muitas tardes, muitas noites boas e mal dormidas. Ele esteve ao meu lado pelos Lençóis maranhenses. Sofreu tendo que entrar inteiro no mar e atravessar profundas lagoas. Mas ele foi forte e quando mais precisávamos ele nunca nos deixou na mão. Ele sempre me trouxe de volta para casa.
Esteve ao meu lado quando aprendi a voar. Das aulas em Fortaleza aos primeiros voos de distância em Quixadá, ele sempre esteve por perto. Carregou pilhas de asas e amigos pilotos. Carregou garotos do sertão que corriam para pedir carona. Subiu as montanhas mais íngremes para nos levar até as rampas de voo. Ele sempre fez tudo isso e nunca reclamou. Ele esteva comigo e eu me acostumei a viver com ele e poder sempre ir mais longe. E assim viajamos juntos por mais de 300 mil quilômetros. Algumas vezes dormi com ele. Outras, não dormi pensando nele. Muitas vezes eu comi junto dele. Namorei junto com ele, enfim… E ele sempre ao meu lado, incondicionalmente, me levando por mais longe que meus sonhos permitissem.
Agora ele se foi e eu ainda estou aqui. Parado, de pé, no meio da rua, pensando. Ainda estou olhando para a calçada vazia, onde estava meu Jipe Bandeirantes estacionado há menos de uma hora atrás…
E com ele ainda se foram uma máquina fotográfica e alguns equipamentos de caverna. Materiais que certamente aquele que os tem agora nem sabe para que servem…
Não foi um carro que furtaram, mas foi parte da minha personalidade. Vou sobreviver, claro. Mas sempre carregarei comigo as belas lembranças que passei junto a um carro feito para durar. Um carro produzido sem os valores atuais de ganância industrial onde produz-se veículos para quebrarem e serem rapidamente substituídos. Um carro feito para toda uma vida… deixo abaixo algumas imagens destas lembranças. Fui!
- Me levou muitas vezes para surfar até de noite!
- Ele foi essencial nas explorações no PETAR. Nos acompanhou com êxito pelas estradas e trilhas ruins em tempos de chuva!
- Por aí… sempre nos levando às mais diferentes paisagens.
- Chegando em Jeri pela primeira vez… sim! acertamos o caminho de primeira!
- Chegando em Jeri, pela primeira vez
- Nas dunas de Camocim…
- Com meu pai
- Caverna + praia + Band!
- Primeira ida à Quixadá… um lugar mágico!
- Ele me acompanhou desde o inicio do voo – primeiras aulas
- Viajando pelas praias entre Ceará e Piauí!
- Paradinha para descansar. Litoral oeste do Ceará!
- O que tem lá na frente?
- Uma das praias mais lindas que conheço
- Parada para toillete
- Se divertindo na praia! Isso foi lá pelos anos de 2001
- Olha ele pequenininho lá em baixo
- Ceará
- Maranhão.. ir com ele fez toda diferença
- Perdido nos Lençois Maranhenses… refletindo em como sair dessa
- Perdido nos Lençois Maranhenses
- Chapada…. foi diferente ir para lá com ele
- Na Chapada Diamantina, em 2010
- Pela estrada! Em 2007, girei a quilometragem do jipe!
- Em São Pedro, SP
- Companheiro de inúmeras viagens de voo
- Com uma boa turma em 1999 no PETAR
- Em escaladas em MG (2000)
- Forte companheiro de espeleologia em Bulhas, PETAR
- Em Andradas, com a Lu
- Nós quatro admirando mais um belo por do sol depois de um dia de voo (eu, Lu, Ste e ele… o Band!)
- Passando alguns apuros no Maranhão
- Acabamos entrando em um lago profundo demais… mesmo afundando quase que por completo (o que eu não poderia fazer!) ele conseguiu vencer o obstáculo e nos levar de volta até o Ceará! Foi um fiel e bravo amigo!
- Perdidos nos Lençois Maranhenses!
- Chegando em Jeri pela primeira vez!
- Sempre um bravo amigo! “Esse sobe até em pé de coco!” dizem os locais!
- Pic-nic após cachoeira em Sao Pedro… ele tembém estava lá
- Espeleologia em São Desidério, Bahia, um dos lugares preferidos era encima do capo de frente
- Na chapada
- Sempre ao meu lado nas jornadas de voo
- Em algum lugar no interior de minas gerais… em uma viagem que resolvemos seguir as estradas de terra, sem muito rumo, encontramos cachoeiras e belos paredões. Isso foi lá por 1999.
- Lavando equipamentos no Rio Apodi, no RN após exploração da Caverna Trapiá… ele estava junto.
- Chegando do Maranhão!
- Ele sempre nos ajudou a ter um bom ângulo de visão!
- Explorando juntos novas rampas (Jacobina, Bahia)
- Plas praias do Ceará
- Pelas praias do Nordeste
- Ele e a Lu chegando para me resgatar em Andradas. Eles se perderam e quase o combustível acabou… mas ele foi tolerante e não decepcionou.
- Sempre encima… isso que é lataria resistente!
- Que bom ângulo de visão!
- Fiel instrumento de resgate! Com a Band vc sabe que vai ser resgatado onde quer que pouse!
- No camping de São Pedro, depois de um dia de voo e cachoeira.
- Mesmo em épocas de chuva, ele estava lá, conosco nas rampas de voo…
- Sempre carregando as tralhas da espeleologia
- Alta-performance nas estradas do Lageado (PETAR)
- Já tinha seu lugar garantido no sítio do Sr Agenor (Cav Paçoca)
- Nunca se preocupou com a bagunça!
- Frequentava muito os bares no Bairro da Serra
- Procurando paredões, cachoeiras e escaladas em Minas Gerais!
- Detalhe mostrando que o dia foi produtivo!
- Nas cidades históricas de MG (2001)




























































